Morreu alguém da sua família e agora há decisões para tomar em poucos dias. A paróquia, a agência funerária, o cemitério, os parentes que chegam de longe. Tudo ao mesmo tempo, com o cansaço do luto em cima. Este guia percorre o que acontece num funeral católico, passo a passo, para que saiba o que esperar e o que lhe compete decidir.
O funeral católico não é um sacramento. É um sacramental: uma oração e uma bênção da Igreja pelos mortos. O nome antigo destes ritos é exéquias. A Igreja organiza-os em três momentos, em casa ou na capela mortuária, na igreja e no cemitério. Conforme as circunstâncias, um destes momentos pode faltar.
O funeral católico pertence aos sacramentais e não aos sete sacramentos. Isto muda o modo como se olha para tudo o que se passa: não há aqui uma ação que produz graça por si mesma, como no batismo ou na eucaristia. Há a oração da Igreja que acompanha um corpo e uma família, pedindo a Deus misericórdia para quem morreu e consolo para quem fica.
O ritual fúnebre tem formas próprias para o adulto, para a criança e para a celebração em casa. Não é tudo igual. A Igreja reza de maneira diferente conforme quem morreu e conforme o lugar onde a oração acontece. O sacerdote usa paramentos brancos ou roxos, e a escolha da cor diz algo sobre o tom da celebração.
Segundo as indicações da Igreja, o funeral acontece em três momentos: em casa do falecido ou na capela mortuária, na igreja e no cemitério. Em Portugal é comum a celebração na capela mortuária, a missa de sufrágio na igreja e o sepultamento no cemitério. Estes três tempos não são três funerais diferentes. São etapas de um único caminho, e cada uma tem o seu sentido próprio.
Há famílias que rezam em casa, junto ao corpo, antes de o levar à igreja. Há quem faça a oração toda na capela mortuária e vá depois diretamente ao cemitério. Se quiser preparar esse momento em casa, pode ver estas orações pelos falecidos e escolher as que a família souber rezar em conjunto.
O funeral católico destina-se aos católicos batizados. É essa a regra geral. Quem saiu oficialmente da Igreja, em regra, não o recebe, e a decisão sobre casos duvidosos é do pároco. Não é o sacristão nem a agência funerária que resolve isto. Se houver alguma situação menos clara na família, vale a pena falar com o pároco antes de marcar seja o que for.
Pelas pessoas que se suicidaram, a Igreja reza e não desespera da sua salvação. Isto significa que não há uma porta fechada automaticamente. A Igreja não julga o coração de ninguém; acompanha com oração e deixa a Deus o juízo. Em casos particulares pode haver funeral de um cristão não católico, e aí é o pároco que decide.
Se tiver dúvidas sobre um caso concreto, a resposta não está num guia. Está na paróquia. Cada situação tem contornos próprios, e o pároco conhece as normas da diocese e pode avaliar o que se aplica. Uma conversa de dez minutos resolve mais do que qualquer pesquisa.
Junto ao caixão estão a água benta e o incenso. O caixão é aspergido com água benta e incensado. Um pano branco recorda a veste branca do batismo. Estes sinais não são decoração. A água benta liga o defunto ao batismo que recebeu; o incenso é sinal de oração que sobe a Deus; o pano branco diz que a vida cristã começou vestida de branco e termina sob o mesmo sinal.
Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá; e todo aquele que vive e crê em mim não morrerá eternamente.
Evangelho de João 11,25-26. A palavra que a Igreja lê junto ao caixão.A oração que se reza neste momento faz parte do ritual e é feita pelo sacerdote ou pelo diácono. A família assiste de pé ou sentada, conforme o espaço permitir. Não é preciso saber as respostas de cor: basta acompanhar em silêncio e responder quando o celebrante o indicar.
Na capela mortuária, a celebração costuma ser mais breve do que na igreja. Rezam-se salmos, lê-se um trecho da Escritura e faz-se a oração fúnebre. É o momento em que muitos familiares e amigos se aproximam pela última vez do caixão. Em Portugal, esta é habitualmente a parte em que mais pessoas passam, porque a capela fica aberta durante horas e permite entradas e saídas.
Aqui também se pode fazer uma palavra de despedida. Não faz parte da liturgia, mas é possível, combinada antes com o pároco. Se um filho ou um neto quiser dizer algumas palavras sobre a vida do falecido, esse é o momento natural. Fale com o sacerdote com antecedência para que a coisa corra sem sobressaltos.
A missa de sufrágio pelos defuntos chama-se missa de Requiem, pelo primeiro pedido Requiem aeternam dona eis, Domine. É uma missa celebrada pelo falecido. Se a missa não for possível ou não for pedida, celebra-se uma liturgia da Palavra com as orações fúnebres. Em qualquer dos casos, o essencial é a oração da Igreja, não a forma exterior.
A homilia é do sacerdote ou do diácono. Uma palavra de despedida, um testemunho pessoal sobre a vida do falecido, é possível, mas não faz parte da liturgia; combina-se antes com o pároco. Se quer entender melhor o que se passa durante a celebração, pode ver a missa católica explicada parte por parte.
A missa de sufrágio pressupõe que se reza por alguém que pode ainda precisar de purificação. É a doutrina de o purgatório que dá sentido a este pedido. Rezar pelos mortos não é duvidar da sua salvação; é acompanhá-los com a oração da Igreja enquanto se espera o encontro definitivo com Deus.
Antes de o corpo sair da igreja, reza-se o Requiem aeternam. É o pedido que dá nome à missa de Requiem e que resume o que a Igreja pede para quem morreu: o descanso eterno. Este momento acontece já depois da comunhão, quando a celebração caminha para o fim e a família se prepara para acompanhar o caixão até à porta.
Dai-lhes, Senhor, o descanso eterno, e que a luz perpétua brilhe sobre eles. Descansem em paz. Amém.
O «Requiem aeternam», a antiga súplica da liturgia dos defuntos.Podem comungar os católicos em estado de graça e que cumpriram o jejum eucarístico de uma hora. Quem não é católico não comunga; pode aproximar-se com os braços cruzados sobre o peito e receber a bênção. Ninguém é afastado nem exposto. É uma orientação clara e vale a pena dizê-la em voz alta aos parentes que não são católicos, para que ninguém fique sentado sem entender porquê.
A saída da igreja é acompanhada pelo antífono In paradisum, oração para que os anjos conduzam o defunto ao paraíso. O caixão é levado à frente, e a assembleia segue atrás. Não é um momento de pressa. É a última vez que o corpo passa por aquele espaço onde foi batizado, onde talvez tenha casado, onde recebeu a comunhão ao longo da vida.
Que os anjos te conduzam ao paraíso, que os mártires te recebam à tua chegada e te levem à cidade santa de Jerusalém.
O antífono «In paradisum», cantado à saída do corpo da igreja.O antífono é cantado ou rezado enquanto o cortejo atravessa a igreja. Quem acompanha pode juntar-se em silêncio, sem precisar de cantar. O importante é caminhar com o corpo até à porta, porque esse gesto diz que a comunidade não abandona ninguém no fim.
No cemitério seguem-se a bênção da sepultura e a aspersão de terra. A terra cai sobre o caixão com as palavras de que o homem foi tirado da terra e à terra regressa, na esperança da ressurreição. É um gesto curto e forte. Muitas famílias ficam surpreendidas com a sua simplicidade, mas é precisamente aí que a fé cristã se diz por inteiro.
Uma sepultura é abençoada, não consagrada. A diferença importa. A Igreja abençoa o lugar onde o corpo vai repousar, mas não o transforma em algo sagrado em si mesmo. O que é sagrado é a pessoa batizada que ali espera a ressurreição. A bênção acompanha o corpo, não o terreno.
Senhor, estamos aqui de mãos vazias. O que amámos, entregamo-lo à terra, e não sabemos o que vem depois. Guarda tu o que não podemos guardar. Está com quem ainda ontem se sentava à nossa frente, e está connosco quando voltarmos a casa e o silêncio for grande. Deixamos ir, mas não sem ti. Amém.
Formulação nossa para a despedida no cemitério. Não é um texto aprovado pela Igreja.Se o caixão for cremado, o rito no cemitério muda de forma, mas não de sentido. A oração mantém-se, e o que se abençoa é o lugar onde as cinzas vão ser sepultadas. A Igreja recorda os defuntos em 2 de novembro e ao longo de todo o mês, e é comum as famílias voltarem à sepultura nesses dias.
A família pode escolher as leituras, os salmos e as intenções da oração dos fiéis. Pode também decidir quem lê e quem leva as oferendas, se houver missa. Estas escolhas fazem diferença para quem fica, porque dão rosto concreto à despedida. Nada disto é obrigatório, e o pároco pode ajudar a montar tudo em pouco tempo.
Vale a pena escolher também as orações que a família vai rezar em casa, nos dias seguintes ao funeral. Há orações de consolo pensadas para esses primeiros dias, quando a casa fica silenciosa e as visitas já foram embora. Rezar em conjunto, mesmo pouco, ajuda mais do que parece.
A cremação é permitida aos católicos: desde 1963 a proibição caiu. Isto significa que uma família pode escolher a cremação sem receio de estar a fazer algo contrário à fé. A Igreja não vê na cremação uma negação da ressurreição do corpo. O que ela pede é que as cinzas tenham um destino condigno.
As cinzas devem ser sepultadas numa sepultura ou num ossário do cemitério. Não podem ser dispersas, divididas nem guardadas em casa. Esta norma é clara e não admite exceções por vontade da família. Se alguém pensava dividir as cinzas entre irmãos ou espalhá-las num lugar querido, é melhor saber isto antes de tomar qualquer decisão.
Pelos ritos fúnebres não se cobra. É habitual uma oferta livre para a igreja e para o sacerdote. Para uma missa pedida por intenção existe um estipêndio fixado pela diocese; não é o preço do funeral. As despesas da agência funerária, do cemitério e da sepultura são outra coisa e não passam pela paróquia. Convém separar bem estas três realidades quando se fazem contas.
Números, durações e preços não se inventam. Cada paróquia e cada cemitério têm as suas tabelas, e a diocese fixa o estipêndio da missa. A pergunta certa a fazer não é quanto custa em geral, mas quanto custa aqui. Se quiser perceber o que se passa na celebração, pode ver as partes da missa e chegar ao funeral a saber o que vai ouvir.
Na prática, a família costuma perguntar quanto tempo vai ficar na igreja. A missa de exéquias dura de 45 a 70 minutos, a encomendação de 5 a 10 e o sepultamento de 15 a 20. Somando terço, missa e cemitério, conte de uma hora e meia a duas horas. Os tempos por tipo de celebração estão em quanto tempo dura uma missa.
Não. O funeral católico pertence aos sacramentais, não aos sete sacramentos. É uma oração e uma bênção da Igreja pelos mortos, não uma ação que produz graça por si mesma. O nome antigo destes ritos é exéquias. Isto não diminui nada do que se celebra: a Igreja acompanha o corpo e a família com a sua oração, e é isso que o funeral é.
O funeral católico destina-se aos católicos batizados. Quem saiu oficialmente da Igreja, em regra, não o recebe, e a decisão é do pároco. Pelas pessoas que se suicidaram, a Igreja reza e não desespera da sua salvação. Em casos particulares pode haver funeral de um cristão não católico, e aí é também o pároco que decide.
Não. Podem comungar os católicos em estado de graça e que cumpriram o jejum eucarístico de uma hora. Quem não é católico não comunga; pode aproximar-se com os braços cruzados sobre o peito e receber a bênção. Ninguém é afastado nem exposto. Vale a pena explicar isto aos parentes antes da celebração, para que ninguém fique sem saber o que fazer.
Sim. Desde 1963 a proibição caiu, e a cremação é permitida aos católicos. As cinzas devem ser sepultadas numa sepultura ou num ossário do cemitério. Não podem ser dispersas, divididas nem guardadas em casa. Se a família pensava dividir as cinzas ou espalhá-las num lugar querido, convém saber esta norma antes de decidir.
Pelos ritos fúnebres não se cobra. É habitual uma oferta livre para a igreja e para o sacerdote. Para uma missa pedida por intenção existe um estipêndio fixado pela diocese, que não é o preço do funeral. As despesas da agência funerária, do cemitério e da sepultura são outra coisa. Os valores concretos devem ser perguntados na paróquia e no cemitério.
A missa de sufrágio pelos defuntos chama-se missa de Requiem, pelo primeiro pedido Requiem aeternam dona eis, Domine. É uma missa celebrada pelo falecido. Se a missa não for possível ou não for pedida, celebra-se uma liturgia da Palavra com as orações fúnebres. A homilia é do sacerdote ou do diácono, e uma palavra de despedida pode ser combinada antes com o pároco.
No cemitério seguem-se a bênção da sepultura e a aspersão de terra. A terra cai sobre o caixão com as palavras de que o homem foi tirado da terra e à terra regressa, na esperança da ressurreição. Uma sepultura é abençoada, não consagrada. A Igreja recorda os defuntos em 2 de novembro e ao longo de todo o mês, e muitas famílias voltam à sepultura nesses dias.
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