Novena pelos doentes: nove dias de oração por quem está doente
Há notícias que deixam o corpo sem sítio. Você recebe um resultado, ouve uma palavra difícil numa sala de hospital, e depois não sabe o que fazer com as mãos. Esta novena nasce desse lugar. São nove dias de oração por quem está doente, sem promessas de cura e sem pressa. Você pode começar hoje à noite, mesmo cansado, mesmo sem saber rezar bem. O que se pede é pouco: dez minutos, um lugar, a sua presença diante de Deus.
De onde vêm os nove dias
A novena não é liturgia da Igreja, é devoção do povo. Nasce do tempo entre a Ascensão e o Pentecostes, quando os discípulos se recolheram com Maria e esperaram o Espírito Santo. Nove dias de espera. Depois, na piedade cristã, o novenário passou também para o funeral, os nove dias que acompanham o luto. Nada disto é obrigatório. É costume, é caminho feito por muitos antes de você.
Nove não é número mágico. Deus não se deixa convencer por repetições, como se a nona vez valesse mais do que a primeira. O que vale é o coração que volta, dia após dia. Se você falhar um dia, não perdeu nada. Se começar hoje e parar amanhã, também não. A novena é uma forma de permanecer, e permanecer já é uma oração.
Quando começar: o diagnóstico, a cirurgia, o internamento
Comece no dia em que o resultado chega. Ou na véspera da operação, quando a noite custa a passar. Ou depois de uma recaída, quando parecia que estava tudo resolvido. Comece quando começam os cuidados paliativos, se for esse o caminho. Não precisa de esperar por um momento solene. Os momentos concretos da doença são os melhores dias para rezar, porque são os dias em que você está de facto ali.
Começar mal é melhor do que não começar. Talvez você não saiba que oração dizer, talvez esteja com raiva, talvez durma no corredor. Tudo isso serve. A pessoa doente não precisa de uma novena perfeita, precisa de alguém que não a abandonou. Se você é quem está doente, comece por si, mesmo que a sua oração seja só um pedido de sono.
Dez minutos por dia, no mesmo lugar
Escolha uma hora e um canto. Pode ser a mesma cadeira, o mesmo banco da capela, a mesma janela. Acenda uma vela se puder, tenha o texto à mão ou só o nome da pessoa. Dez minutos chegam. Se um dia só tiver cinco, são cinco. O que interessa é que aquele tempo seja reconhecível, para que o corpo saiba aonde vai quando a cabeça está cansada.
Você pode rezar de outra cidade, de outro fuso, do quarto ao lado. O corredor do hospital também serve, mesmo com o barulho das máquinas e as luzes acesas. Não espere pelo silêncio ideal. Se está à cabeceira de alguém, reze baixinho, ou só respire devagar. A novena acompanha a vida real, não a substitui.
Para o quarto do doente: orações de cura e unção dos enfermos.
O que pedir e o que deixar de pedir
Peça saúde, se for possível. Peça também sono, uma dor suportável, um médico que escute, alguém que fique. Peça paciência para os dias compridos e coragem para os exames. Peça pelos que cuidam, que muitas vezes estão mais gastos do que mostram. Estas coisas pequenas são pedidos honestos, e Deus não se ofende com a nossa lista concreta.
Não faça negócio com Deus. Não prometa missas, não prometa mudar de vida em troca de um resultado. Não prometa curas que não pode dar. A oração não é um contrato, é uma conversa de filhos. Se você se apanhar a negociar, pare e diga apenas: aqui estou. Isso basta para o dia de hoje.
Os sacramentos que acompanham: unção dos enfermos e comunhão
Se a pessoa está em casa ou no hospital e a situação se agravou, chame o padre. Não espere pelo capelão do fim de semana, não deixe para o último dia. A unção dos enfermos é para os que estão doentes, não apenas para os que estão a morrer. A confissão também pode ser pedida, e a comunhão levada ao quarto, mesmo que seja um quarto pequeno e cheio de gente.
A novena não substitui a medicina nem os sacramentos. Reze e tome os medicamentos. Reze e faça as análises. Reze e chame o padre. Deus serve-se dos meios comuns, e o médico é um deles. Se houver dúvidas sobre o que fazer, pergunte ao pároco e à equipa que acompanha o doente. Ninguém precisa de carregar sozinho o peso de decidir.
Rezar com quem já não fala
Segure a mão. Fale devagar, diga o nome da pessoa, diga que está ali. Reze o Pai Nosso em voz alta, mesmo que não haja resposta. O ouvido de quem está muito doente capta mais do que imaginamos, e a sua voz é um sinal de que o mundo não desapareceu. Se a pessoa estiver a dormir, reze baixo, mas reze.
Deixe as crianças entrar. Elas rezam de outra maneira, às vezes fazem barulho, às vezes dizem a coisa certa. Não as afaste da verdade. E aceite o silêncio, que também é oração. Há dias em que as palavras não saem. Nesses dias, ficar sentado ao lado de alguém é a novena inteira, feita sem texto e sem relógio.
A Igreja tem dois sacramentos para os doentes, e nenhum deles é urgência de última hora: veja como pedir.
Quando o nono dia chega e a cura não vem
No décimo dia, você continua. A novena acaba, o acompanhamento não. Talvez a cura não venha, e você tenha de aprender a pedir outra coisa: força para o próximo tratamento, paz para os dias difíceis, uma boa morte se for esse o caminho. Pedir outra coisa não é falta de fé. É reconhecer que Deus escuta de um modo que nem sempre entendemos.
O sofrimento unido a Cristo não é sofrimento desperdiçado. Em Fátima, a oração pela cura não foi tratada como espetáculo, e os pastorinhos aprenderam a oferecer. Se o nono dia chegar sem resposta, não conclua que rezou mal. Reze outra novena, ou reze sem contar dias. O que importa é que você não fique sozinho com o que sente.
Se a pessoa por quem reza já morreu, os nove dias são outros: orações pelos falecidos.
Oração da novena
Senhor, tu sabes o nome da pessoa por quem rezo e conheces melhor do que eu o que se passa dentro dela. Sustenta-a nestes nove dias: que a dor se torne suportável, que o medo não lhe roube o sono, que não lhe falte quem cuide dela. Se for da tua vontade, devolve-lhe a saúde; se não for, dá-lhe força para o caminho que tem pela frente. E faz de mim companhia fiel, sem que ela se sinta um peso. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.
Pai nosso que estais nos céus, santificado seja o vosso nome; venha a nós o vosso reino; seja feita a vossa vontade assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje; perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido; e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal. Amém.
Texto devocional escrito para esta página, não é texto do missal.
Os nove dias, um a um
Dia 1
Pelo diagnóstico recente e pelo médico que o vai explicar.
Dia 2
Pela dor suportável e por uma noite de sono.
Dia 3
Pelo ânimo do doente, para que não se apague.
Dia 4
Pela família que acompanha e por quem está longe.
Dia 5
Por quem cuida: enfermeiros, auxiliares, médicos, quem limpa os quartos.
Dia 6
Pela operação, pela quimioterapia, pelo tratamento marcado.
Dia 7
Pela paciência nos dias em que nada melhora.
Dia 8
Pela fé de quem a tem e pela de quem já não tem.
Dia 9
Pela aceitação do que vier e pela paz daquela casa.
Perguntas frequentes
Quantos dias tem a novena pelos doentes?
Tem nove dias, seguidos ou não. Pode começar hoje e terminar quando puder. O costume dos nove dias vem da espera dos discípulos entre a Ascensão e o Pentecostes, mas não é uma regra da Igreja. Se precisar de parar e retomar, retome. Nove é o número do costume, não uma condição para ser ouvido por Deus.
Posso rezar sem que a pessoa saiba?
Pode. Muitas pessoas rezam por familiares que não sabem, e isso é legítimo. Você não precisa de autorização para pedir por alguém. Se puder, diga à pessoa que está a rezar por ela, porque isso costuma consolar. Mas se ela não quiser saber, ou se não puder compreender, reze em silêncio. Deus conhece o nome que você tem no coração.
Preciso começar num dia especial?
Não. Pode começar numa terça-feira à noite, num domingo de manhã, no dia do resultado ou na véspera da cirurgia. A Igreja não marca uma data para esta novena. Se lhe ajudar, comece num dia em que tenha menos pressa. Se não houver esse dia, comece hoje mesmo, com o tempo que tiver. O melhor dia é aquele em que você começa.
A novena substitui o tratamento médico?
Não substitui. A oração e a medicina não competem. Você pode rezar todos os dias e seguir as indicações dos profissionais de saúde. Não deixe exames, medicação nem consultas por causa da novena. Se alguém lhe disser para abandonar o tratamento, desconfie. Procure o seu pároco e a equipa médica, e não carregue essa decisão sozinho.
E se eu falhar um dia?
Não perdeu a novena. Deus não conta faltas como um fiscal. Se falhou um dia, retome no dia seguinte, sem começar de novo do zero, a não ser que queira. A fidelidade que se pede é a de recomeçar, não a de nunca falhar. Se falhou porque estava exausto, isso também faz parte da sua oração.
Quer que se celebre uma Missa por esta pessoa?
Pode pedir uma intenção de Missa com o nome dela. O pedido faz-se online em poucos minutos, a oferta começa nos 10 $ e o nome é lido no altar. Se não puder dar a oferta, o pedido segue na mesma.
Envie a sua intenção, conte-nos do que precisa e a nossa comunidade rezará consigo nestes nove dias.
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