Salmo 91 para os enfermos: como rezar por quem você ama
Você está sentado numa cadeira de plástico ao lado de uma cama que não é a sua. Há um soro pingando, um lençol dobrado, o som de um aparelho. Alguém que você ama está ali, talvez com os olhos fechados, talvez com medo. No bolso ou na mão, você segura um papel com o Salmo 91, e não sabe direito o que fazer com ele. Não é um talismã. Não é uma fórmula que resolve. É uma oração antiga, feita de palavras que atravessaram séculos de gente assustada, e que agora chega até você como chega a mão de quem não tem nada a dizer e mesmo assim fica.
Este texto quer acompanhar você nessa cadeira. Vai olhar o Salmo 91 sem prometer o que ele não promete, e sem tirar dele o que ele realmente diz. Você vai ver os versículos que falam de doença e de resgate, os versos 9, 10, 14, 15 e 16, e o que eles significam quando alguém está deitado sem forças. Depois, um jeito simples de rezar junto ao leito, com o doente acordado ou não. Há também o sacramento que caminha ao lado dessa devoção e o que fazer quando a cura não vem. Nada aqui exige que você tenha palavras perfeitas.
1. Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo, à sombra do Onipotente descansará.
2. Direi do Senhor: Ele é o meu Deus, o meu refúgio, a minha fortaleza, e nele confiarei.
9. Porque tu, ó Senhor, és o meu refúgio. No Altíssimo fizeste a tua habitação.
10. Nenhum mal te sucederá, nem praga alguma chegará à tua tenda.
14. Porquanto tão encarecidamente me amou, também eu o livrarei, pô-lo-ei em retiro alto, porque conheceu o meu nome.
15. Ele me invocará, e eu lhe responderei; estarei com ele na angústia; dela o retirarei, e o glorificarei.
16. Fartá-lo-ei com longura de dias, e lhe mostrarei a minha salvação.
Talvez agora você só consiga ficar. Fique. Respire no ritmo da respiração do doente, se ele dorme. Se não houver nada para dizer, o silêncio também reza. Antes de qualquer palavra, o Salmo 91 já está sendo cumprido no simples fato de você não ter ido embora. Uma mão sobre a mão. Um copo de água na mesa de cabeceira. A luz acesa de madrugada. Deus não precisa do seu texto bem escrito para escutar você. Ele escuta o que você não consegue formular. Comece por aí. O resto deste artigo pode esperar alguns minutos.
O que o Salmo 91 diz de verdade sobre a doença
O Salmo 91 começa com uma imagem de abrigo: quem habita no esconderijo do Altíssimo descansa à sombra do Onipotente. No versículo 9, o salmista diz ao Senhor: tu és o meu refúgio. No 10, afirma que nenhum mal acontecerá. É forte, e é verdadeiro no sentido que o salmo quer dar: quem se entrega a Deus não está sozinho no mal. Mas não é um contrato de saúde. O salmo não diz que o justo nunca adoece, nem que a febre baixa porque o papel foi colocado sobre o travesseiro. Ele diz onde está o coração de quem reza quando a noite é longa. Se quiser o texto inteiro do salmo, leia devagar, sem pressa.
Nos versículos 14 a 16 é Deus quem fala, e isso muda tudo. Ele diz: porque me amou, eu o livrarei. E no versículo 15 vem a frase que sustenta muita gente de madrugada: eu estou com ele na tribulação. Não é uma promessa de que a tribulação não virá. É a promessa de companhia dentro dela. O versículo 16 fala de salvação, e salvação, na Bíblia, é maior do que a saúde do corpo. Por isso a Igreja lê este salmo há séculos, inclusive na oração da noite, quando o medo aperta e não há mais muito o que fazer além de entregar.
Como rezá-lo junto ao leito, passo a passo
Não existe um jeito oficial de rezar o Salmo 91 ao lado de uma cama. Existe um jeito respeitoso. Antes de começar, pergunte ao doente se ele quer, se estiver consciente. Se ele disser que sim, diga em voz baixa o que você vai fazer: vou ler o Salmo 91 com você. Leia devagar, mais devagar do que você lê qualquer outra coisa. Pare no versículo 15 e repita: eu estou com ele na tribulação. Se a pessoa estiver com a mão livre, segure. Se estiver dormindo, leia do mesmo modo, sem pressa, e não a acorde para rezar. A voz baixa é parte da oração.
Depois da leitura, fique calado por um instante. Um pai-nosso rezado bem devagar vale mais do que dez páginas apressadas. Se o doente quiser falar, escute sem corrigir. Muita gente, ao lado de um enfermo, enche o silêncio de frases prontas porque não suporta o desconforto. Você não precisa fazer isso. Há palavras de consolo que ajudam mais do que qualquer conselho, e quase sempre são poucas. Termine com o sinal da cruz sobre a testa dele, se ele permitir, ou apenas com a mão sobre o ombro. E se não conseguir rezar naquele dia, isso também é oração.
Se quiser uma oração para dizer em voz alta, e não só versículos para ler, use esta. Fica dentro das palavras do salmo e não acrescenta nada que a Igreja não assinasse.
1. Senhor Jesus, você carregou a doença dos homens e não afastou ninguém que tenha pedido a sua ajuda.
2. Eu te entrego a pessoa que amo, no seu leito, com tudo o que a assusta nesta noite.
3. Seja você o seu refúgio, onde ele não pode se esconder desta doença, e a sua fortaleza, onde já não consegue se sustentar.
4. Envie para o lado dele quem cuida: os médicos, os enfermeiros, os amigos.
5. Se quiser curar, cure. Se a cura precisa de tempo, dá paciência a ele e firmeza a mim.
6. Não o deixe sozinho neste quarto esta noite, e transforma o medo dele em confiança.
7. Amém.
O sacramento que anda ao lado deste salmo
O Salmo 91 é uma devoção. A unção dos enfermos é um sacramento, e há uma diferença que vale saber. O sacramento foi entregue à Igreja, e Tiago 5,14 diz que quem está doente chame os presbíteros, que orem sobre ele e o unjam em nome do Senhor. Não é um rito para o fim, nem um sinal de que a morte está próxima. A Igreja unge quem está morrendo e também quem está em tratamento e vai se recuperar. Se o seu parente está internado, pergunte na capelania do hospital como pedir a visita de um padre.
Enquanto o padre não chega, você pode rezar o Salmo 91. Um não substitui o outro. O salmo alimenta a confiança; o sacramento dá a graça que a Igreja promete em nome de Cristo. Se a doença se prolonga, a unção dos enfermos pode ser recebida mais de uma vez, não só no fim. Vale a pena perguntar ao padre ou à equipe da capelania, sem medo de estar incomodando. Muitas famílias esperam até o último dia por vergonha de chamar. Não espere. E se o doente estiver consciente, conte a ele o que vai acontecer, para que não haja susto.
Quando a cura não chega
Há um momento em que os exames voltam piores do que antes. O médico fala de dias, não de meses. A família se olha no corredor. É aqui que muita gente se cala, com vergonha de rezar depois de tantas novenas sem resposta. Não é falta de fé. O Salmo 91 nunca prometeu que ninguém morreria. Ele prometeu companhia na tribulação, e essa promessa vale justamente agora. A doença não atinge só o corpo de quem está na cama; ela atravessa toda a casa, os horários, o sono, as contas. Deus não se retirou porque a cura não veio.
Continue rezando, mas mude o pedido se for preciso. Peça força para ele, lucidez para você, uma boa morte se for o caso, e isso não é falta de esperança. A Igreja unge quem está morrendo e continua ao lado, sem abandonar ninguém na hora mais escura. Fale com o doente sobre o que ele quer, sobre o que teme, sobre as pessoas que gostaria de ver. Não minta. O versículo 16 fala de ver a salvação de Deus, e essa é a promessa que atravessa o fim. Se você precisa de palavras para os dias em que não consegue formular nada, há orações simples para a hora da doença.
Perguntas frequentes sobre o Salmo 91 para os enfermos
O Salmo 91 promete que o doente vai ficar curado?
Não. O Salmo 91 não é um contrato de cura, e a Igreja nunca o leu assim. Os versículos 14 a 16 falam de livramento e de salvação, palavras que na Bíblia são maiores do que a saúde do corpo. O salmo sustenta a confiança de quem reza, mas não garante que a doença vai passar nem que o exame vai voltar limpo. Reze pedindo força, companhia e sabedoria para os médicos. E não faça do salmo uma promessa que Deus não fez.
Que versículos se leem sobre um doente?
Os versículos 9 e 10 falam de refúgio e de mal que não alcança quem se entrega a Deus. Os versículos 14, 15 e 16 são os mais usados ao lado de um doente, sobretudo o 15, em que Deus diz: eu estou com ele na tribulação. Muitos também leem o início do salmo, versículos 1 e 2, para começar devagar. Não há regra fixa. Leia os que a pessoa reconhece, e repita o 15 se ela estiver com medo.
Posso rezar o Salmo 91 se o doente está inconsciente?
Pode. A oração não depende de o doente responder nem de ele entender. Leia em voz baixa, sem acordá-lo, e não se preocupe se você chorar no meio. A Igreja sempre rezou pelos que não conseguem rezar por si, e o versículo 15 continua verdadeiro quando a pessoa está dormindo: Deus está com ele na tribulação. Se ele estiver inconsciente e houver possibilidade, avise a capelania do hospital. A unção dos enfermos também pode ser dada a quem não responde.
Devo chamar um padre ou basta o salmo?
As duas coisas, e não é preciso escolher. O salmo é uma devoção que você, familiar, amigo ou vizinho, pode rezar a qualquer hora. A unção dos enfermos é um sacramento, e para ele é preciso chamar um padre, como pede Tiago 5,14. Não espere o último dia por medo de incomodar. Se o padre não puder vir, reze o salmo e peça a alguém da comunidade que reze com você. Deus escuta os dois.
O que digo se o doente pergunta por que Deus não o cura?
Não invente uma resposta. Diga que você não sabe, que também gostaria de entender, e que vai ficar. Nunca diga que ele não é curado porque tem pouca fé, isso é falso e machuca. Você pode lembrar o versículo 15, em que Deus promete companhia na tribulação, e não a ausência dela. Se ele quiser falar mais, escute. Se for preciso, chame um padre ou alguém de confiança dele. O silêncio partilhado também consola.
Posso rezar o Salmo 91 por mim, quando sou eu o doente?
Pode, e deve. O salmo é para quem está na cama também. Leia devagar, troque o pronome se ajudar, e pare no versículo 15: eu estou com ele na tribulação. Deus não está longe do seu quarto. Se você estiver sem forças, peça a alguém que reze com você, mesmo por telefone. E se só conseguir dizer uma frase, diga essa. Rezar por si não é egoísmo, é reconhecer de onde vem a força.
Que outras orações acompanham o Salmo 91?
O pai-nosso, a ave-maria e a salve-rainha são as mais conhecidas. Muitos rezam o Salmo 23, o Salmo 42, ou uma oração a São Rafael, arcanjo ligado à cura. A bênção da Igreja e a unção dos enfermos também acompanham esse tempo. Você pode ainda pedir ao padre uma oração específica. O importante não é a quantidade, é a constância de quem fica.
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