Viu a palavra Rorate num aviso paroquial ou numa fotografia de uma igreja escura cheia de velas e ficou sem saber o que era. Trata-se da Missa do Rorate, uma missa votiva de Nossa Senhora que se celebra no Advento, de madrugada, com a igreja iluminada apenas por velas. O nome vem da primeira palavra do introito, em latim: Rorate caeli desuper, «orvalhai, ó céus, lá do alto».
Não é uma devoção nova nem uma moda litúrgica. É uma prática antiga que atravessou séculos na Europa central e que hoje regressa a muitas paróquias, incluindo em Portugal, sobretudo em conventos e em comunidades com vida litúrgica mais cuidada.
A missa começa com o introito tirado do livro de Isaías, no texto latino da Vulgata: Rorate caeli desuper, et nubes pluant iustum. Em português, «orvalhai, ó céus, lá do alto, e as nuvens façam chover o justo». É o versículo 8 do capítulo 45, uma das leituras que a Igreja põe na boca do povo no tempo do Advento, à espera de quem há de vir.
Como o introito dá o tom a toda a celebração, o povo começou a chamar-lhe simplesmente «a Rorate». Não é o nome oficial no missal, onde aparece como missa votiva da Bem-Aventurada Virgem Maria no Advento. Mas é o nome que ficou, e é assim que o vai encontrar nos avisos.
A tradição manda celebrar antes do nascer do sol, muitas vezes por volta das seis ou sete da manhã. A igreja está às escuras e só as velas do altar, dos candelabros e das mãos dos fiéis dão luz. Não é encenação. A escuridão diz alguma coisa: ainda não amanheceu, o mundo espera, a luz está para vir.
Há quem ligue o costume às antigas missas de madrugada dos monges e das comunidades religiosas, que rezavam antes do trabalho do dia. Há também quem recorde as missas de madrugada celebradas em tempos difíceis, quando era preciso começar o dia com Deus antes de tudo o resto. Seja como for, a penumbra faz parte da celebração e não se deve corrigir com holofotes.
O silêncio antes de começar também conta. Chegue uns minutos antes, deixe os olhos habituarem-se, e não use o telemóvel como lanterna.
Não há um dia fixo. A maioria das paróquias marca uma manhã no Advento, muitas vezes a um dia de semana ou ao sábado, entre as seis e as sete da manhã. Nalguns sítios há várias ao longo das quatro semanas, uma por semana, como preparação próxima do Natal.
Em Portugal, a Missa do Rorate, ou missa da aurora, celebra-se de madrugada no Advento, sobretudo em conventos, onde a comunidade já tem por hábito rezar cedo. No Brasil é rara, mas existe em paróquias tradicionais, algumas com décadas de costume ininterrupto.
A duração é a de uma missa normal, entre trinta e quarenta e cinco minutos, às vezes um pouco mais se houver sermonário ou cânticos próprios. Não é uma vigília nem uma hora santa: é a missa.
Sim, é uma missa como as outras. Aplica-se o que se aplica a qualquer missa: pode comungar quem está em estado de graça, cumprindo o jejum eucarístico de uma hora antes da comunhão. Se veio de casa sem tomar o pequeno-almoço, está nas condições habituais.
Se não estiver em condições de comungar, pode ficar no seu lugar ou aproximar-se com os braços cruzados para receber a bênção. Ninguém vai reparar. A escuridão, aliás, ajuda a que a atenção esteja onde deve estar.
Comece pelo boletim da sua paróquia e pelas redes sociais: é aí que os horários do Advento aparecem, muitas vezes só na semana anterior. Se a sua paróquia não tem, pergunte ao pároco se alguma comunidade vizinha celebra. Mosteiros, conventos de clausura com capela aberta ao público e paróquias com grupos de canto gregoriano são bons pontos de partida.
Em Portugal vale a pena olhar para as dioceses com vida conventual mais forte e para as paróquias que já celebram a missa em latim ou com canto gregoriano. Também pode perguntar nas livrarias religiosas e nas escolas de música sacra: quem canta este repertório sabe onde se canta.
Não fica sem nada. As leituras do dia e o próprio texto de Isaías podem ser rezados em casa, ao amanhecer, com uma vela acesa e a Bíblia aberta. Leia o capítulo 45 de Isaías, versículo 8, e o capítulo 7, versículo 14. Reze o Magnificat devagar. O essencial do Advento cabe numa cozinha às sete da manhã.
Também pode propor a celebração ao seu pároco, sem pressão: uma missa de madrugada no Advento, uma vez só, com velas. Muitas paróquias começaram assim, com um pedido simples de um fiel. E se a ideia pegar, no ano seguinte já há dois ou três a ajudar a acender as velas.
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Vem do latim e quer dizer «orvalhai». É a primeira palavra do introito da missa, tirado de Isaías 45, 8: Rorate caeli desuper, «orvalhai, ó céus, lá do alto». O povo passou a chamar Rorate à missa inteira por causa dessa primeira palavra.
Não. É uma missa votiva de Nossa Senhora no Advento, geralmente celebrada a um dia de semana ou ao sábado. Não substitui a missa dominical, embora possa ser celebrada ao sábado à noite nalguns lugares, conforme as normas litúrgicas locais.
Não é obrigatório. Muitas paróquias distribuem velas à entrada ou colocam-nas nos bancos. Se quiser levar a sua, uma vela simples de cera serve. O importante é que a luz das velas não se transforme em espetáculo.
Entre trinta e quarenta e cinco minutos, como uma missa normal. Pode ser um pouco mais se houver homilia mais desenvolvida ou cânticos próprios do Advento. Chegue dez minutos antes para se ambientar à penumbra.
Pode, mas avise-as de que vai estar escuro e de que se usa voz baixa. A escuridão e as velas costumam ajudar as crianças a estar atentas. Se forem muito pequenas, sente-se perto da saída para não perturbar.
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